Por que não consigo ser promovido?

Você investiu tempo e dinheiro em cursos e livros, ralou o ano todo, chegou mais cedo, saiu mais tarde, trabalhou finais de semana, resolveu bugs que ninguém havia resolvido, salvou a entrega daquele projeto que estava super atrasada, recebeu elogios, ouviu dizer que estava no caminho certo mas no final da contas não conseguiu ser promovido.

Pior ainda, teve que assistir a esperada promoção ser dada a quem não demonstra ter a mesma capacidade técnica e que, na sua opinião, não se esforçou tanto quanto você.

Primeiro você se pergunta:

Mas o quê aconteceu?

Onde foi parar a meritocracia?

Por que não fui promovido?

E resolve:

Vou mudar de emprego, aqui ninguém valoriza o meu esforço

Passado algum tempo no novo emprego a mesma coisa acontece. Você entra com força total, repete todo o esforço e adivinhe o resultado. Nada.

A frustração dos parágrafos acima são um relato da minha própria experiência e se repetiu durante muito tempo e em diferentes empresas.

Afinal de contas o quê eu estava fazendo de errado?

Chegou um momento que finalmente caiu a ficha. Tantas experiências mal sucedidas em lugares diferentes só podia significar que eu estava fazendo alguma coisa errada. Mas o quê?

A resposta para isto não estava nos livros de programação e fóruns de tecnologia. Este tipo de material nos ajuda a aprimorar nossas habilidades como programadores permitindo que possamos desenvolver mais, com menos código, em menor tempo e de forma mais limpa.

Eu não estou desmerecendo seu conhecimento técnico ou sua capacidade de refatorar um bloco inteiro de código em apenas uma linha. A evolução das suas habilidades em codificação certamente abrirão portas em empregos com bons salários. Porém, só isso não garantirá a ascensão da sua carreira.

Após um tempo observando, percebi que eu tinha que fazer mais e eu não estou falando de mais códigos. Era preciso fazer com que lembrassem de mim, dos meus resultados e fortalecer isto fazendo com que mais pessoas me conhecessem.

Alguns chamam isso de politicagem.

De fato, existem profissionais preguiçosos que não entregam nada, eliminam a concorrência com fofocas e se beneficiam de bons contatos e falsas afirmações para construírem reputações invejáveis que serão vistas, admiradas e promovidas.

Não vou sugerir que você aja da mesma forma, você não precisa. Existem meios de ser lembrado jogando limpo e sem puxar o tapete de ninguém. Veja, o que comecei a praticar:

Apareça

Que tipo de herói você é?

Batman ou Superman?

O Batman é altamente treinado, capacitado, silencioso, atua com discrição e precisão, aparece sempre de máscara e salva o mundo de perigos que nem chegam ao conhecimento das pessoas.

E o super homem? O super homem é todo espalhafatoso, se veste de azul e vermelho e voa (precisa de mais?). E convenhamos, discrição não é bem o seu ponto forte.

Vira e mexe você veria ele por ai no meio do dia voando com um prédio nas costas ou trocando socos com inimigos alienígenas no meio da avenida Paulista.

O cavaleiro das trevas constantemente tem que lutar com oponentes muitos mais fortes e além das suas limitações humanas. Ele precisa se esforçar muito mais do que o homem de aço para realizar os mesmos feitos.

O super homem é amado e tem o carisma da população, enquanto o homem morcego só é lembrado pelos seus inimigos e não passa de uma lenda urbana.

Quem você escolhe ser?

Talvez você esteja sendo um herói formidável e ninguém saiba da sua existência.

Deixe a vergonha e a timidez de lado, saia do modo ninja. Não fique esperando que alguém tropece no seu trabalho para descobrir o valor dele. Mostre para o mundo quem você é, exponha seu trabalho em reuniões, discuta as dificuldades que encontrou no meio do caminho, o tempo que gastou e os rumos que percorreu até encontrar a solução, não minimize as coisas que você faz, deixe a modéstia um pouco de lado.

Aprenda a dar prazos

Falar de cronogramas e prazos é um saco. É burocrático, é chato e intimidador.

Para fornecer um prazo você precisa entender o pedido do usuário com o máximo de detalhamento possível e com isto buscar em sua memória experiências em projetos similares que já participou para ter uma ideia das atividades que teve que fazer e quanto tempo gastou em cada uma.

Agora pense neste cenário:

Gerente de projeto: Fernando, quanto tempo você leva para criar uma tela de relatório no sistema xpto?

Fernando: Bem. Levarei duas horas para configurar o ambiente na minha máquina, três horas para implementar as classes de negócio, duas horas para montar a instrução SQL na base de dados, quatro horas criar a tela de exibição dos filtros e mais umas duas horinhas de testes. Levo treze horas.

Isso já demonstra um certo domínio, é bem melhor do que responder: Levo treze horas.

Duas semanas já se passaram e eu ainda não terminei. O acesso ao versionador de código demorou três dias para sair, perdi o dia seguinte porque o código versionado estava com uma referência quebrada e não consegui rodar a aplicação na minha máquina, no dia seguinte o DBA estava em reunião e não pôde liberar a execução do meu script e ainda não consigo terminar porque não consigo encontrar uma massa de testes para validar o comportamento da exibição da tela.

Apesar de ser impactado por fatores que não dependem exclusivamente de mim, não ter considerado ou mencionado estas pré condições evidencia a minha falta de experiência na empresa e um certo relaxo. Quer dizer, eu trabalho aqui há três anos e ainda não aprendi que o DBA tem um prazo de três dias para responder as minhas solicitações?

Mostre que você tem experiência, entende do assunto, sabe o quê fazer e conhece o caminho das pedras dentro da sua organização.

Bons profissionais aprenderam a dizer não, profissionais melhores aprenderam a negociar.

“Você precisa aprender a dizer não”, pelo menos foi isso que ouvi depois dos meus primeiros anos de carreira. E eu aprendi isso rápido.

Não consigo entregar nesta data

Não posso trabalhar no final de semana

Não posso fazer esta alteração

Não faço o que não estiver dentro do escopo

Resultado, minha vida no trabalho virou uma guerra. Eu estava sempre construindo barreiras e quantos mais muros eu levantava mais ataques eu sofria.

“Não” é uma palavra forte demais para ser usada de forma impensada. Gera inimizades, transmite que você está agindo de má vontade e que não está disposto a colaborar com o resto do grupo.

Procure sempre negociar e encontrar um meio termo entre as suas limitações e o desejo do seu cliente ou solicitante.

Entenda a urgência, exponha suas dificuldades, mencione os riscos que você quer evitar, explique o tipo de ajuda de que precisa, proponha uma corte no escopo, uma extensão no prazo.

Seja lembrado como alguém que as pessoas buscam para conseguir apoio e ajuda. Não crie a reputação de alguém que precisa ser vencido para que consigam atingir um objetivo.

Concluindo

Não encontramos estas habilidades em livros de C#, Java ou fóruns de discussão técnica.

Você talvez já tenha encontrado alguma coisa parecida estudando sobre Scrum, mas de forma ainda vaga.

Saia da zona de conforto. Leia mais sobre oratória, gestão, marketing, vendas, liderança, coaching e busque orientação de pessoas de outras áreas.

Você já faz um bom trabalho, mostre isso para as pessoas e faça seu talento aparecer.

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